As Letras Namuranas

As Letras Namuranas

As Letras Namuranas são uma cifra simples, onde cada símbolo representa uma consoante/dígrafo ou uma vogal, e as palavras são desenhadas de forma linear, na vertical. Desenvolvi para ilustrações e elementos gráficos de Tiriana, projeto de RPG.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Julho de 2020
Tipo
Alfabeto

A maior inspiração do cenário são povos originários brasileiros, e como essas culturas não costumam ter escritas, mas têm grafismos exuberantes, pensei em algo que representasse a verticalidade de árvores e que fosse bastante ornamental. Além disso, dentro da história tiriana os textos tradicionais eram desenhados em folhas de buriti, então teria de ser algo fino e delicado.

As letras namuranas são uma das formas mais comuns de escrita em Tiriana, com muitas variações regionais. Há locais em que se escreve de baixo para cima, em outros as letras são mais retas; há regiões que separam a haste em cada palavra, outras em cada frase, e assim por diante.

Os exemplos abaixo são adaptações de histórias presentes em Poranduba Amazonense, registradas por Barbosa Rodrigues em 1890. Ambas foram musicadas por Villa-Lobos como Duas Lendas Ameríndias em Nheengatu: I. O Iurupari e o Menino e II. O Iurupari e o Caçador.

O Jurupari e o Menino
Nheengatu

[Manha! Manha! Manha! Manha!]

Português

[Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!]

Yepé kunhã, paá, u kire taíra irumo i kisaûa pupé.

Uma mulher, dizem, dormia com o filho em sua rede.

Yurupari, paá, u su u îu’uca kunhã iuá su’i i membira u imu kisaûa uirpe.

O Jurupari tirou o menino dos braços dela e o colocou no chão.

— Manha! Manha! U xipiá Yurupari yané uirpe unhenu u ikó…!

— Mãe! Mãe! Olha o Jurupari deitado embaixo da gente…!

Ariri, paá, kunhã u peseka muirakanga u nupa i membira.

Então a mulher pegou um pedaço de pau e bateu no seu filho.

[Manha! Manha! Manha! Manha!]

[Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!]

Arame, paá, Yurupari u pure u nhe’e:

Depois o Jurupari saltou, dizendo:

— Xa ganane! Xa ganane! Xa ganane!

— Enganei! Enganei! Enganei!

Unhana, u su ana. U su ana.

Correu e foi embora. E foi embora.

O Jurupari e o Caçador
Nheengatu

Yepé apegaua u su kamundu u asema suasu kunhã i membira irumo. U îumu suasu membira, u pesika suasu mirĩ. Manha o îauau. U mu iaxu suasu mirĩ, suasu manha u seno rame u ure i membira rese. A’e kuite u îumu îuire suasu mirĩ manha. U manu. Ariré o maã sese i manha kuéra u iumunhã uaá suasu rama. Yurupari u îumumeu suasu rama u ganane arama i membira u kire rame.

Português

Um homem foi caçar e encontrou uma veada com seu filho. Flechou o filhote, e pegou o veadinho. A mãe fugiu. Quando o filhote chorou, a mãe voltou. O caçador flechou, então, a mãe veada. Ela morreu. Ao chegar perto, o homem viu que matou sua própria mãe. O Jurupari havia transformado a mãe do caçador em veada para enganar o filho enquanto dormia.

A escrita namurana é baseada no Laoris, de Anton Brejestovski. O alfabeto vem de uma língua de mesmo nome que o compositor criou para o grupo Caprice, usada nas músicas do álbum Elvenmusic 3Tales of the Uninvited.

A Epigrafia Ismalina

A Epigrafia Ismalina

Sistema de escrita baseado na grafia usada pelos povos paleo-hispânicos da Península Ibérica, antes da imposição do alfabeto latino. Desenvolvido para ilustrações e elementos gráficos de Tiriana, projeto de RPG. Uma partezinha dele tem inspiração ibérica, daí a escrita específica.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Junho de 2020
Tipo
Semi-silabário

Dentro do cenário, o sistema é chamado comumente de “ismalino”, devido à sua mítica criadora, Ismália. Também chamado de “escrita auretana” devido à sua origem em Auretânia, além do Mar. Quando o povo de lá chegou em terras tirianas, se dividiu em duas grandes viagens, e a cisão também mudou a aplicação da escrita, a forma e o uso de algumas letras.

Por ser um sistema irregular, muitos símbolos são lidos de forma diferente dependendo do contexto: é comum que se use BA para representar apenas B, por exemplo, ou então usar J para representar JA.

Auretânia, Suçuaranas, Brácara e Mitancariri, usando o ismalino.

Os castanhos, que vivem na Tiriana continental, costumam usar a escrita em xilogravuras e cordéis. Eles têm as formas mais irregulares de muitas letras, devido ao contato intenso com outros povos da região.

Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam
Das naus às velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos onde as proas vão cortando

Assim fomos abrindo o chão dos mares,
Que geração alguma não abriu,
As novas ilhas vendo e os novos ares

Com os olhos no Oriente
Pelo novo astrolábio

Mawaca — Largo Oceano (adaptado de Os Lusíadas)

No arquipélago de Ebra, no oeste tiriano, os descendentes de Auretânia tentam manter o legado de sua terra natal, e pouco variam no estilo e nas aplicações da escrita — que é vista com frequência em azulejos e outros ornamentos de vias públicas.

Dizem que uma sombra escura
Com duas pontas na testa
Por donde o Donzel caminha
Ao lado se manifesta.

O Doutor vela de sebo
Sinal dos magos errôneos
Lume lúgubre da morte
Lampadário do demônio

Renata Rosa — A Marcha do Donzel

O Oeste Esquecido

O Oeste Esquecido

Um mapa para uma campanha de RPG no estilo West Marches, na qual os personagens vão descobrindo o cenário aos poucos: a ideia (nesse projeto específico) é a de existir um mapa prévio com poucas informações, a princípio ilegíveis e que aos poucos vão fazendo sentido.

O estilo da ilustração é inspirado no mapa de Faerûn da terceira edição de Forgotten Realms. A escolha da tipografia vem do mesmo cenário — é o alfabeto Dethek, usado naquele mundo para a escrita da língua anã.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Fevereiro de 2020
Dimensões
59,4 × 42 cm
Tipo
Regional

Altimetria do Centro do Reinado

Altimetria do Centro do Reinado

Um mapa que apresenta a elevação estimada da região central do Reinado, em Arton, exibindo Deheon e os reinos circundantes. Baseado nos mapas oficiais apresentados em O Mundo de Arton (2013) e de O Reinado d20 (2004), do cenário nacional Tormenta.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Julho de 2019
Dimensões
21 × 29,7 cm
Tipo
Regional

Esse mapa foi feito com as informações do cenário até 2019, sem considerar a atualização de Tormenta20 e o trabalho posterior em Atlas de Arton.

Tiriana: A Caminhada dos Dormentes

Tiriana: A Caminhada dos Dormentes

O trajeto dos Grandes Encarnados, espíritos que atravessaram o Portão do Mundo do Morro do Martírio e, em linha reta, caminharam por Tiriana há mil anos. Hoje as imensas entidades são chamadas de Dormentes, e esperam pelo fim do mundo. O mapa simula técnicas antigas de reprodução, como se feito em Tiriana.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Outubro de 2018
Dimensões
21 × 21 cm
Tipo
Regional

Tiriana: A Chã Crassa

Tiriana: A Chã Crassa

Um mapa em escala regional da Chã Crassa, no litoral leste de Tiriana.

Cliente
Projeto pessoal
Data
Dezembro de 2018
Dimensões
29,7 x 21 cm
Tipo
Regional